domingo, 17 de agosto de 2014

ZAGO, ALCKMIN E FUNDAÇÕES: TIREM AS MÃOS DA USP!

A máscara da Reitoria caiu. Para os que ainda tinham dúvida a Reitoria apresentou oficialmente propostas para o reequilíbrio financeiro da USP. O pacote de maldades da traz um Plano de Demissão Voluntária para demitir cerca de 3.000 funcionários do quadro atual. O Reitor não diz o que fará caso essa meta não seja alcançada “voluntariamente” – pois muitas vezes é por pressão e assédio moral. Também apresentou o projeto de flexibilização da jornada de trabalho com redução salarial. Zago diz que a crise foi causada por excesso de contratação de funcionários, mas a verdade é que entre 1989 e 2012 o número de cursos de graduação cresceu 98%, o número de alunos de graduação, mestrado e doutorado cresceu 94%, e o número de professores cresceu somente 4%, enquanto o número de funcionários diminuiu 5%!!! Isso mostra o que já sabemos: faltam funcionários em muitos setores, e a consequência é sobrecarga, adoecimento e acidentes de trabalho, que só vão piorar com essa redução da jornada de trabalho e corte de quase um quinto dos postos de trabalho!

Neste mesmo pacote, está incluída a desvinculação do Hospital Universitário e do HRAC de Bauru (Centrinho) passando para a administração das fundações privadas ligadas à Faculdade de Medicina. A permanência estudantil também seria repassada para gerenciamento do Estado, ferindo a autonomia universitária. As bilionárias obras inacabadas segundo o Reitor também “seria bom que o Estado se responsabilizasse”. Na Folha de São Paulo o Reitor também disse que poderia dar reajuste salarial (inflação) no caso de todo esse plano ser implementado! Quer trocar nosso salário pelo desmonte da USP, por mais 3.000 postos de trabalho fechados através do PDV, além dos empregos do HU e do HRAC que ficariam na USP “até serem gradativamente substituídos”, ou seja demitidos. Não podemos aceitar!

ABAIXO O CORTE DOS SALÁRIOS! TODOS CONTRA O DESMONTE A UNIVERSIDADE

Como fica claro o processo de desmonte da USP está em curso e a condição para que a reitoria e o governo consigam implementá-lo é derrotar o que foi o maior obstáculo para isso: a luta dos trabalhadores, estudantes e professores. Por isso, atacam o direito de greve cortando os salários dos trabalhadores em greve, usando a força policial e a “justiça dos ricos”.
Isso coloca uma tarefa clara: a mais forte unidade entre trabalhadores, professores e estudantes, e mais ainda a unidade com a população de fora da universidade para defender a USP lutando para que esta esteja a serviço da maioria da população. Lutamos por mais verbas para toda a educação pública e abertura dos livros de contabilidade da USP. Não vamos pagar pela crise! Exigimos cotas raciais proporcionais e fim do vestibular, porque todo jovem tem direito de estudar! E agora é também preciso exigir: abertura de negociação, pagamento dos dias descontados e retirada dos processos e multas contra o Sintusp, bem como a reintegração de Brandão e de todos os demitidos.
Num momento em que o governo avança em seu projeto de desmonte, é hora de dizer que estes burocratas e reitores não podem governar a USP. Por isso trabalhadores, professores e estudantes devem, pela força da mobilização, tomar os rumos da USP em suas mãos!

CONSTRUIR UM FORTE TRANCAÇO DIA 20 DE AGOSTO!

FORA FUNDAÇÕES PRIVADAS DO HU E DO HRAC!

A Reitoria também confirmou a denúncia que o Sintusp vem fazendo há meses, de que Zago pretendia desvincular o Hospital Universitário e o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC) entregando os dois hospitais para a Secretaria Estadual de Saúde. Uma das principais bandeiras dos trabalhadores do HU é a não desvinculação, mas muita gente dizia que isso não tinha fundamentos.
Agora não há mais dúvidas! Mais do que nunca é a hora de lutarmos todos juntos! Se não impedirmos a desvinculação pela força da greve, ela será concretizada e o HU será entregue para a gestão de uma Organização Social (OS) mantendo os funcionários até que sejam gradualmente substituídos. O emprego de todos que trabalham no HU e no HRAC está em risco.
Nossa greve continua forte e deve tomar a bandeira dos Hospitais Universitários com toda a força. A população já começa a perceber que a privatização destes Hospitais significará uma grande perda de qualidade e atendimento para os trabalhadores e a população mais pobre, por isso também é fundamental uma aliança entre os trabalhadores da USP e do HU com a população da região.

Todos ao “abraçaço” no Hospital Universitário 
nesta segunda-feira após a Assembléia!

Operários ocupam fábrica Donnelley na Argentina e colocam pra produzir sob controle operário! O que temos a ver com isso?

Na última assembleia tiramos uma foto de solidariedade aos operários da fábrica gráfica Donnelley, que fica na Argentina. Os patrões desta fábrica decidiram fechá-la deixando mais de 400 operários e suas famílias nas ruas. A Donnelley é parte das empresas americanas que lucram com as dívidas que a Argentina tem com os Estados Unidos, mas não conseguiu se manter e assim como outras fábricas estão demitindo. A resposta dos trabalhadores também foi de que “não tem arrego!” e não somente ocuparam a fábrica como estão eles próprios, sem patrões, produzindo dentro da fábrica.

Isso tem tudo a ver com a nossa luta, porque a luta da classe trabalhadora ainda que aconteça de forma nacional, ou seja, em cada país, cidade, deve ser entendida de maneira internacional. Porque somos uma só classe em todo o mundo, sem fronteiras, e as vitórias dos trabalhadores em outros países nos fortalecem e nos dão exemplos de como lutarmos contra nossos patrões. Por exemplo, a mesma Donnelley possui fábricas em Barueri e Osasco, que, caso consigam adotar as mesmas medidas que estão tomando na Argentina, deixarão centenas de trabalhadores desempregados também aqui. Achamos que seria muito importante organizarmos uma atividade de greve sobre a ocupação da Donnelley com vídeos e imagens de como está sendo trabalhar sem patrão!

sábado, 16 de agosto de 2014

Jornal Nossa Classe nº 2


O Movimento Nossa Classe foi fundado logo após a greve dos garis do RJ, num encontro nacional com mais de 200 trabalhadores de diversas categorias de 4 estados do país. Atuamos fortemente nas lutas em cada  categoria onde estamos, e principalmente agora na USP, onde organizamos dezenas de companheiros e somos parte do comando de greve e do Sintusp, que é um dos poucos sindicatos combativos e democráticos do país. Queremos que os trabalhadores de todo o país conheçam as lutas do Sintusp e dos trabalhadores da USP que deixam várias lições e exemplos a seguir, assim como a greve dos garis do RJ. Além do Sintusp, atuamos também em metroviários, professores, bancários, correios, petroleiros, indústria da alimentação, metalúrgica, química, calçadista e outras categorias. Nesse jornal, que a partir de agora será publicado ao menos uma vez por mês e distribuído em dezenas de milhares pelo país, queremos compartilhar lições do atual ascenso de greves, para que cada nova luta que surja não parta do zero, e sim das experiências mais avançadas. Queremos também explicar porque consideramos que a luta dos trabalhadores da USP e das estaduais paulistas deve ser encarada como uma luta de toda a nossa classe. Se eles vencem, nós vencemos. Chamamos a construir conosco o Movimento Nossa Classe, como alternativa classista e combativa no movimento operário nacionalmente. Leia, discuta e distribua este jornal. Entre em contato conosco.

Retomar o caminho aberto pelos garis do RJ com a grande greve dos trabalhadores da USP, Unesp e Unicamp



Depois das manifestações de junho do ano passado, que revogaram os aumentos das tarifas e escancararam os problemas do país, os trabalhadores se colocaram fortemente em luta. A vitória dos garis do RJ gerou confiança de que é possível superar a burocracia sindical, enfrentar a justiça, a intransigência patronal e dos governos, que é possível vencer. Em diversas categorias ocorreram as greves mais fortes desde a década de 80.
Mas nossos inimigos, os governos do PSDB e PT (e os de qualquer outro partido), que são serviçais dos patrões, querem evitar um avanço maior das lutas da nossa classe, atacando duramente o direito de greve e buscando impor derrotas (com demissões, corte de ponto, etc), como a dos metroviários e rodoviários de SP.
Para impedir essa contra-ofensiva, precisamos impor uma grande vitória de uma luta da nossa classe. A principal oportunidade que está colocada agora é a já histórica greve dos trabalhadores da USP, Unesp e Unicamp, e principalmente a da USP, onde está um dos poucos sindicatos combativos e classistas do país, o Sintusp. Lutar pela vitória da USP e das estaduais paulistas, é fortalecer todas as lutas que virão. Por isso, nesse jornal socializamos as lições da luta das estaduais paulistas pelos seus próprios construtores e pedimos apoio ao fundo de greve.
Também colocamos depoimentos de trabalhadores com as lições que consideramos as mais importantes dos últimos processos de luta, principalmente dos garis e da USP que são os mais avançados, para nos prepararmos cada vez melhor para vencer.

Precisamos resgatar o caminho deixado pelos garis das vitórias, pois os problemas que fizeram milhões saírem às ruas em junho do ano passado permanecem os mesmos, e a onda de greves não garantiu uma melhoria efetiva dos salários e direitos para os trabalhadores. Mas os trabalhadores vão seguir mostrando que NÃO TEM ARREGO, que não vamos deixar passar os ataques e vamos conquistar nossas demandas!

A voz dos trabalhadores das estaduais paulistas em luta, lições para toda a classe trabalhadora

Claudionor Brandão, diretor do Sintusp, demitido político

Tenho orgulho de fazer parte de um sindicato que, diferente da maioria do país, é reconhecido na base da categoria como de luta, por vários motivos. Em primeiro lugar, porque garantimos a democracia e o poder de decisão da base. Por exemplo, nessa greve a direção é do comando de greve que tem trabalhadores eleitos na base, onde tenho o mesmo direito de voz e voto que qualquer trabalhador. O movimento organizado pela base é o que nos permitiu aguentar 80 dias com uma greve forte, a mais longa da história, enfrentando a intransigência. Por isso, é que dizemos que é necessário expulsar os dirigentes sindicais vendidos que só querem privilégios e recuperar os sindicatos para a luta. 
O resultado da nossa luta segue em aberto, mas assim como os garis do RJ, deixa algumas lições que servem para os trabalhadores de todo o país se prepararem melhor para as que estão por vir.
Uma delas é que se os patrões nos atacam com demissões ou corte de ponto, não podemos recuar enquanto o movimento tiver força e união. Esse é o significado do “Não tem arrego”! Esse foi o ensinamento dos garis e que estamos seguindo na USP, radicalizando em resposta ao corte de ponto com mais piquetes, atos, trancaços, etc.
A outra é que não basta lutar por salário, porque só os trabalhadores podem conquistar serviços de qualidade, que foi a reivindicação das ruas em junho do ano passado. Por isso, na nossa greve fizemos passeatas em defesa da saúde pública e doamos sangue para o SUS, com os grevistas do Hospital Universitário na linha de frente. Nossa luta é também em defesa da universidade pública, por isso valorizamos muito a unidade com estudantes e professores.
Por fim, nós trabalhadores só podemos confiar nas nossas forças. É necessário a solidariedade ativa entre as categorias. A força da nossa greve esteve na manutenção da unidade na base na USP e na resistência dos trabalhadores da Unesp e Unicamp que também não aceitaram a divisão que nossos inimigos quiseram nos impor. Mas a importância dessa lição vai além da USP, Unesp e Unicamp. Apoiamos a greve dos metroviários porque encaramos como parte de uma mesma luta. A derrota deles impactou toda a nossa classe. Estamos colocando todas as nossas forças para vencer os nossos inimigos e retomar o caminho das vitórias aberto pelos garis.





Os trabalhadores não vão pagar pela crise da USP! Por isso exigimos a abertura imediata do livro de contas e mais verbas pra educação pública, como parte de atender a demanda salarial e contratação de funcionários e professores. Este é o caminho necessário na luta por uma universidade a serviço dos trabalhadores e do povo pobre, sem vestibular, e dirigido por um governo tripartite com maioria estudantil 


Marcelo Pablito, trabalhador do restaurante da USP e diretor do Sintusp








Na Unesp, somos 24 campi pelo estado e encontrávamos muita dificuldade em nos comunicar e construir ações conjuntas. A base pressionou o sindicato pela realização do III Encontro Estadual dos Trabalhadores da Unesp e, a partir dele, foi criada a Comissão Estadual de Mobilização, composta por trabalhadores eleitos na base, que com reuniões semanais passou a articular ações, como o Trancaço Unificado do dia 31/07 do qual participaram 11 unidades. Essa é a nova tradição de luta que vem se forjando na Unesp: organização pela base, utilização de métodos de luta da nossa classe e que só unidos somos fortes.
Gaetano Esposito, trabalhador da Unesp Marília, membro eleito pela base para o comando de greve local e estadual



A greve na USP e especialmente no Hospital Universitário tem sido uma grande lição para os trabalhadores, a união e o companheirismo que nasceu deste momento está mudando a história desta instituição. Trabalhadores que sofrem há anos dentro de um hospital com alta demanda de atendimento, falta de investimento, número insuficiente de funcionários decidiram sair em luta por uma saúde de qualidade e de melhores condições de trabalho. Não foi só o 0%, estamos lutando por algo muito maior que isso, é pela saúde com qualidade, é por educação de excelência e gratuita é por transparência e justiça.
Samantha, membro do comando de greve pelo Hospital Universitário da USP


A cada conversa, a cada passeata, a cada gesto de resistência, fortaleço-me pela luta desses bravos lutadores das velhas gerações que passaram, e ainda passam, por adversidades infinitas, e não cederam ao medo, a opressão, ao cansaço ou ao desespero. Rostos enrugados, pernas mancas, cabelos brancos. Cada coisa contando uma história. Sem arrego, construíram a história da classe trabalhadora do Brasil
Patrícia Galvão, membro do comando de greve eleita pela FFLCH-USP


Estar de greve não é transferir o poder de lutar pelos nossos direitos para os outros e sim nos empenharmos em lutar por todos. Foi notável também a busca e dedicação incessante por seus dirigentes e colaboradores para promover melhorias que engrandeça o movimento e o torne vitorioso. Vejo que há sempre a preocupação para que os fatos sejam tratados com coerência e boa-fé, preservando sempre os princípios e a dignidade em relação as atitudes tomadas como resolução. A greve não se faz simplesmente por pessoas “paralisadas” e sim com ações e comprometimento.
Elenice, trabalhadora do Restaurante da Física – USP

Mobilizações como a atual greve na USP nos chamam o tempo inteiro a estar atentas, a refletir, a tomar posição, dentro e fora do trabalho. Para aquelas que começam agora sua experiência de luta, é um desafio que não deve ser rejeitado, mesmo com as muitas dificuldades no caminho. Na maior universidade do Brasil, a greve oferece agora a mais rica oportunidade de aprendizado para trabalhadoras e trabalhadores. 
Amanda, trabalhadora da prefeitura do campus da USP


"Pau Que Bate Em Chico Também Bate Em Francisco
Esse dito popular, tão brilhantemente composto, esta sendo muito empregado nos discursos que cercam esse tenso momento que vivenciamos. Digno de análise minuciosa detemo-nos a principio na composição.
A afirmação que o “pau que bate” quer aqui não só expor o objeto utilizado, mas também a ação empenhada. Porém o sujeito que pratica a ação esta convenientemente oculto, vamos então, num contexto lúdico, nomea-lo governo. O oculto governo deixa o pau ser culpado sozinho, talvez com provas forjadas, no caso talhadas se tratando do pau ser de madeira.
E quem sofre a ação, Seu Chico e Dr. Francisco. Querem os deuses da boa retórica nos fazer crer que a mesma força empregada nas duas ações teriam igual peso e teor? Como o Dr. Francisco homem letrado, culto, numa brilhante carreira que lhe rende prestígio, suportaria as mesmas pauladas a que submetem Seu Chico peão de obra, que carrega três vezes o próprio peso, acostumado aos sopapos e solavancos que o oculto lhe dá.
Nota-se que a frase usada para igualar seres, setores e temores, espertamente se burla gritante numa denuncia, se erguendo contra a farsa na qual a querem usar. Se até a frase se ergue contra o oculto, o que impede Seu Chico de também o fazer? O que segura a fúria de Seu Chico é a crença que Dr. Francisco está ao seu lado aguentando calado, o pobre homem rico.
Jamais bateram no Dr. Francisco com a mesma força que sovam o Seu Chico, ainda que o braço que segura o pau seja o mesmo.
Então é no silêncio que está igualdade em questão, um por medo o outro por conveniência.
O que descobriremos então se pensarmos em outros brilhantes ditos populares. E se “a corda que sempre arrebenta do lado mais fraco” esteja propositalmente desse lado corroída por dentes que buscam na queda a liberdade. E se...
Como são ricos os ditos, apesar de populares."
Ana Gomes, trabalhadora da Faculdade de Odontologia
 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Lady Gaga, Salman Khan