quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Começou o trancaço na USP





Às 4h30 da manhã a USP já estava toda fechada. Começou o maior trancaço da história da Universidade no 85 dia de greve dos trabalhadores com muitos trabalhadores e estudantes nos três portões. Não ao corte de ponto! Negocia Zago! Não ao desmonte da Universidade!

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Aos trabalhadores da USP, ao Comando de Greve, ao SINTUSP


Isabelle Gomes de Moraes, petroleira do Terminal da Baía de Guanabara - RJ e membro da CIPA
Leandro Lanfredi de Andrade, petroleiro do Terminal de Campos Elíseos - RJ

Companheiros, acompanhamos dia a dia cada passo de sua histórica greve em defesa do reajuste salarial e contra os ataques à USP como parte da política de privatização da educação e da saúde do governo Alckmin e dos seus agentes na reitoria. Vimos que recentemente o reitor Zago veio a público confirmar propostas que farão nada menos que destruir a qualidade desta que é a principal universidade do país, com a desvinculação do Hospital Universitário e o corte de funcionários, como se não bastasse o disparate de negar o reajuste legal dos salários na data-base.
Somos trabalhadores da maior empresa do país, a Petrobrás, que também é alvo constante de tentativas de privatização e precarização do trabalho. Um dos mecanismos mais ardilosos para precarizar o trabalho na Petrobrás é a terceirização, e volta e meia um PDV (plano de demissão voluntária). Também na USP, o reitor Zago propõe um PDV. Queremos, com um pouco de nossa experiência, e como irmãos da classe trabalhadora, alertar vocês dos perigos dos PDVs.
Tal como ocorre com a USP os PDVs que já ocorreram na Petrobrás vieram em situações onde a empresa e os governos alegavam estar atravessando uma crise. Via de regra falta transparência nos gastos, sobram denúncias de irregularidades e gastos em obras faraônicas, porém, no fim das contas onde querem cortar gastos é sempre no mesmo lugar: nos direitos, salários e empregos, para que sejam os trabalhadores quem pague as “crises” que eles geram.
Na Petrobrás tivemos este ano um grande PDV. Mais de 8 mil trabalhadores se inscreveram. Este foi o primeiro PDV desde que Lula assumiu o governo em 2003. Os PDVs dos anos 1990 – era FHC – eram feitos sob imensa pressão para atingir um número mínimo de pessoas inscritas e pairava sobre todos a ameaça de que se o número não fosse atingido haveria demissões diretas e não “voluntárias”. Milhares de petroleiros, com a conivência dos sindicalistas da CUT, foram embora e a terceirização aumentou exponencialmente. Hoje temos 320 mil terceirizados para 75 mil funcionários próprios. Muitos trabalhadores saíam no PDV e meses depois voltavam como terceirizados, obviamente, com menores salários e direitos.
O PDV de 2014, de Dilma e Graça Foster, foi um pouco diferente daqueles realizados nos anos 1990, mas terá o mesmo resultado coletivo nefasto. No PDV deste ano só podiam se inscrever funcionários que já estivessem aposentáveis pelo INSS e, dependendo do cargo e função, obtiveram um grande valor em indenização em troca de permanecer na empresa por um período. Aos trabalhadores em fim de carreira esta soma é uma esperança de complementar sua renda, ter estabilidade para si mesmos e suas famílias. É contando com este anseio que a empresa se utiliza do PDV. Mas ela o utiliza para seus fins: precarizar o trabalho e aumentar o lucro. Dos 8 mil funcionários que se desligarão até 2017 a empresa só se compromete a repor 60% do quadro. Os funcionários novos que entrarão no lugar dos antigos ganharão menos e assim a empresa aumentará seu lucro, aumentando a exploração dos que ficam, pois a produção aumentará e os salários e direitos diminuirão, pressionando os que ficam. Mas também aumentará os riscos à saúde dos petroleiros e de todos os brasileiros que podem ser afetados por acidentes.
Em resumo, o PDV da Petrobrás será um instrumento para enxugar o quadro da empresa e consequentemente aumentar a terceirização e precarização do trabalho. Com esta terceirização e precarização, sem reposição do quadro, já estamos vendo uma sangria de “cérebros” na empresa, e em pouco tempo veremos graves acidentes, pois um dos setores mais afetados pela não reposição de quadros é a manutenção. Se isto acontece em uma empresa que produz tecnologia de ponta, mas é, em última instância, uma grande fábrica, tememos que o PDV da USP terá consequências ainda mais nefastas para a produção de conhecimento, afetando todo o nosso país.
Por estes motivos alertamos os trabalhadores da USP em greve para que não se iludam com as promessas individuais atrativas que podem constar em um PDV e levem em consideração os malefícios coletivos que caminham junto. Do dinheiro do petróleo ou dos impostos do estado mais rico da federação seguramente há recursos para garantir dignos planos de aposentadoria para os trabalhadores, bem como reposição de todos aqueles que se aposentam, atender as reivindicações da greve, e sobretudo não fazer a crise que os governos e gestores criaram recaía em nossas costas. Sua luta é nossa luta! A vitória de vocês contra os planos de ajuste do reitor Zago e do governador Alckmin será uma força para os petroleiros e toda a classe trabalhadora.

domingo, 17 de agosto de 2014

ZAGO, ALCKMIN E FUNDAÇÕES: TIREM AS MÃOS DA USP!

A máscara da Reitoria caiu. Para os que ainda tinham dúvida a Reitoria apresentou oficialmente propostas para o reequilíbrio financeiro da USP. O pacote de maldades da traz um Plano de Demissão Voluntária para demitir cerca de 3.000 funcionários do quadro atual. O Reitor não diz o que fará caso essa meta não seja alcançada “voluntariamente” – pois muitas vezes é por pressão e assédio moral. Também apresentou o projeto de flexibilização da jornada de trabalho com redução salarial. Zago diz que a crise foi causada por excesso de contratação de funcionários, mas a verdade é que entre 1989 e 2012 o número de cursos de graduação cresceu 98%, o número de alunos de graduação, mestrado e doutorado cresceu 94%, e o número de professores cresceu somente 4%, enquanto o número de funcionários diminuiu 5%!!! Isso mostra o que já sabemos: faltam funcionários em muitos setores, e a consequência é sobrecarga, adoecimento e acidentes de trabalho, que só vão piorar com essa redução da jornada de trabalho e corte de quase um quinto dos postos de trabalho!

Neste mesmo pacote, está incluída a desvinculação do Hospital Universitário e do HRAC de Bauru (Centrinho) passando para a administração das fundações privadas ligadas à Faculdade de Medicina. A permanência estudantil também seria repassada para gerenciamento do Estado, ferindo a autonomia universitária. As bilionárias obras inacabadas segundo o Reitor também “seria bom que o Estado se responsabilizasse”. Na Folha de São Paulo o Reitor também disse que poderia dar reajuste salarial (inflação) no caso de todo esse plano ser implementado! Quer trocar nosso salário pelo desmonte da USP, por mais 3.000 postos de trabalho fechados através do PDV, além dos empregos do HU e do HRAC que ficariam na USP “até serem gradativamente substituídos”, ou seja demitidos. Não podemos aceitar!

ABAIXO O CORTE DOS SALÁRIOS! TODOS CONTRA O DESMONTE A UNIVERSIDADE

Como fica claro o processo de desmonte da USP está em curso e a condição para que a reitoria e o governo consigam implementá-lo é derrotar o que foi o maior obstáculo para isso: a luta dos trabalhadores, estudantes e professores. Por isso, atacam o direito de greve cortando os salários dos trabalhadores em greve, usando a força policial e a “justiça dos ricos”.
Isso coloca uma tarefa clara: a mais forte unidade entre trabalhadores, professores e estudantes, e mais ainda a unidade com a população de fora da universidade para defender a USP lutando para que esta esteja a serviço da maioria da população. Lutamos por mais verbas para toda a educação pública e abertura dos livros de contabilidade da USP. Não vamos pagar pela crise! Exigimos cotas raciais proporcionais e fim do vestibular, porque todo jovem tem direito de estudar! E agora é também preciso exigir: abertura de negociação, pagamento dos dias descontados e retirada dos processos e multas contra o Sintusp, bem como a reintegração de Brandão e de todos os demitidos.
Num momento em que o governo avança em seu projeto de desmonte, é hora de dizer que estes burocratas e reitores não podem governar a USP. Por isso trabalhadores, professores e estudantes devem, pela força da mobilização, tomar os rumos da USP em suas mãos!

CONSTRUIR UM FORTE TRANCAÇO DIA 20 DE AGOSTO!

FORA FUNDAÇÕES PRIVADAS DO HU E DO HRAC!

A Reitoria também confirmou a denúncia que o Sintusp vem fazendo há meses, de que Zago pretendia desvincular o Hospital Universitário e o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC) entregando os dois hospitais para a Secretaria Estadual de Saúde. Uma das principais bandeiras dos trabalhadores do HU é a não desvinculação, mas muita gente dizia que isso não tinha fundamentos.
Agora não há mais dúvidas! Mais do que nunca é a hora de lutarmos todos juntos! Se não impedirmos a desvinculação pela força da greve, ela será concretizada e o HU será entregue para a gestão de uma Organização Social (OS) mantendo os funcionários até que sejam gradualmente substituídos. O emprego de todos que trabalham no HU e no HRAC está em risco.
Nossa greve continua forte e deve tomar a bandeira dos Hospitais Universitários com toda a força. A população já começa a perceber que a privatização destes Hospitais significará uma grande perda de qualidade e atendimento para os trabalhadores e a população mais pobre, por isso também é fundamental uma aliança entre os trabalhadores da USP e do HU com a população da região.

Todos ao “abraçaço” no Hospital Universitário 
nesta segunda-feira após a Assembléia!

Operários ocupam fábrica Donnelley na Argentina e colocam pra produzir sob controle operário! O que temos a ver com isso?

Na última assembleia tiramos uma foto de solidariedade aos operários da fábrica gráfica Donnelley, que fica na Argentina. Os patrões desta fábrica decidiram fechá-la deixando mais de 400 operários e suas famílias nas ruas. A Donnelley é parte das empresas americanas que lucram com as dívidas que a Argentina tem com os Estados Unidos, mas não conseguiu se manter e assim como outras fábricas estão demitindo. A resposta dos trabalhadores também foi de que “não tem arrego!” e não somente ocuparam a fábrica como estão eles próprios, sem patrões, produzindo dentro da fábrica.

Isso tem tudo a ver com a nossa luta, porque a luta da classe trabalhadora ainda que aconteça de forma nacional, ou seja, em cada país, cidade, deve ser entendida de maneira internacional. Porque somos uma só classe em todo o mundo, sem fronteiras, e as vitórias dos trabalhadores em outros países nos fortalecem e nos dão exemplos de como lutarmos contra nossos patrões. Por exemplo, a mesma Donnelley possui fábricas em Barueri e Osasco, que, caso consigam adotar as mesmas medidas que estão tomando na Argentina, deixarão centenas de trabalhadores desempregados também aqui. Achamos que seria muito importante organizarmos uma atividade de greve sobre a ocupação da Donnelley com vídeos e imagens de como está sendo trabalhar sem patrão!

sábado, 16 de agosto de 2014

Jornal Nossa Classe nº 2


O Movimento Nossa Classe foi fundado logo após a greve dos garis do RJ, num encontro nacional com mais de 200 trabalhadores de diversas categorias de 4 estados do país. Atuamos fortemente nas lutas em cada  categoria onde estamos, e principalmente agora na USP, onde organizamos dezenas de companheiros e somos parte do comando de greve e do Sintusp, que é um dos poucos sindicatos combativos e democráticos do país. Queremos que os trabalhadores de todo o país conheçam as lutas do Sintusp e dos trabalhadores da USP que deixam várias lições e exemplos a seguir, assim como a greve dos garis do RJ. Além do Sintusp, atuamos também em metroviários, professores, bancários, correios, petroleiros, indústria da alimentação, metalúrgica, química, calçadista e outras categorias. Nesse jornal, que a partir de agora será publicado ao menos uma vez por mês e distribuído em dezenas de milhares pelo país, queremos compartilhar lições do atual ascenso de greves, para que cada nova luta que surja não parta do zero, e sim das experiências mais avançadas. Queremos também explicar porque consideramos que a luta dos trabalhadores da USP e das estaduais paulistas deve ser encarada como uma luta de toda a nossa classe. Se eles vencem, nós vencemos. Chamamos a construir conosco o Movimento Nossa Classe, como alternativa classista e combativa no movimento operário nacionalmente. Leia, discuta e distribua este jornal. Entre em contato conosco.
 
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