terça-feira, 26 de agosto de 2014

Urgente: Comunicado de Bruno Rocha, membro do Conselho Universitário da USP

Comunicado de Bruno Rocha, membro do Conselho Universitário pelos Funcionários da USP, a respeito da sessão do CO que acontecerá agora


Bruno Rocha, que é membro do Sintusp e do Movimento Nossa Classe, declarou: "Acabei de receber o comunicado do local onde será realizada a reunião do Conselho Universitário (CO), há apenas uma hora de seu início. É mais uma mostra da forma arbitrária e antidemocratica que atua o Reitor Marco Antônio Zago, que não apenas cortou nosso ponto, envia a polícia para nos reprimir, como na última quarta-feira, mas ainda manda e desmanda no já antidemocrático CO, que hoje é composto por empresários, burocratas, e uma parcela ínfima da comunidade universitária, convocando as reuniões do Conselho, apenas para "referendar" suas decisões, quando, como e aonde quer, sem avisar com antecedência nem mesmo os representantes das três categorias. Sabemos que os interesses do Reitor Zago e da burocracia acadêmica está totalmente do lado oposto ao do grande movimento de trabalhadores dentro da universidade hoje, que questiona profundamente o caráter antidemocrático e elitista da universidade, levantando agora como eixo central de nossa greve a luta contra a privatização da educação e da saúde, e em defesa do Hospital Universitário. Nossa luta segue muito forte entre funcionários, professores e estudantes, mas pelo papel que cumpre nosso hospital, transcende e muito a comunidade universitária, mobilizabdo médicos, estudantes e trabalhadores da área de saúde de todo o país, além dos usuários do HU, que são centenas de milhares da Zona Oeste de SP, que sabem que perderam muito com a desvinculação. Mesmo sob todas as arbitrariedades da reitoria, nossa luta segue contra o plano da reitoria a ser "referendado" hoje nesse conselho, de tirar nossos hospitais, demitir, precarizar e privatizar. Vamos barrar a desvinculação do HU, os ataques à universidade e o arrocho salarial, no caminho de impor, pela força da mobilização, uma Estatuinte livre e soberana, tirando das mãos dessa minoria de parasitas que coloca a universidade à serviço dos empresários e burocratas, pra colocar os que colocam a universidade em funcionamento, estudantes, professores e funcionários pra definir os rumos da USP e colocá-la a serviço dos trabalhadores e do povo pobre."



A reunião do Conselho Universitário da USP, que Zago convocou para "referendar" seus planos, acontecerá às 14h em frente ao IPT.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Saiu o Boletim Nossa Classe USP #4






Leia e difunda!

Todos se levantam contra a desvinculação do HU! Desvincula o Zago!


Há uma semana, logo depois de oficializar o plano de desvinculação dos hospitais, entrega de prédios e demissão em massa - o maior ataque à USP nos últimos anos -, Zago declarou à imprensa que poderia oferecer reajuste salarial caso os cortes passassem. Uma chantagem para tentar dividir os trabalhadores da USP. Na última semana os trabalhadores deram um exemplo de resistência contra a repressão, e o ataque à greve através de sua judicialização não deu certo num primeiro momento. Agora é hora de manter todos os que estão em greve unidos. Nos dividir é a estratégia para fazer passar os maiores ataques. Mas com todos juntos contra os cortes e pelo reajuste, e todos juntos pelos hospitais, podemos vencer.
A desvinculação dos hospitais é um ataque enorme à universidade, aos trabalhadores – que seriam “gradativamente substituídos”, ou seja, cerca de 2500 demitidos – e à população. Mas Está ficando claro que com essa medida Zago criou novos inimigos. Estudantes da Enfermagem e da Medicina votaram paralisação até terça-feira contra a desvinculação, Conselhos Deliberativos do HU e os médicos estão contra a desvinculação e estão convocando um ato para o dia do Conselho Universitário, o Conselho de Graduação de toda a USP está contra a desvinculação, as Congregações da Enfermagem, da Psicologia e outras unidades também, e lideranças comunitárias começam a se mobilizar. É preciso, e possível, transformar o HU em uma grande causa popular, mostrar que são os trabalhadores, e não Alckmin e Zago, que defendem a saúde e os interesses da população, conquistar novos aliados, e assim vencer.
Nossas próximas ações devem ir nesse sentido. Ao mesmo tempo, manter a pressão contra o corte de ponto e pelo reajuste, sem nenhuma ilusão na justiça – a desembargadora que por enquanto se negou a julgar a greve é a mesma que decretou as greves de metroviários e rodoviários ilegais. É preciso, ao mesmo tempo, demonstrar pra toda a população que é o governo Alckmin que está por trás destas medidas querendo se beneficiar da desvinculação do HU e do HRAC. Já não basta a situação da água em São Paulo, quer atacar a educação e a saúde.

Assim, nesta semana, podemos impedir que o Conselho Universitário aprove a desvinculação e a demissão em massa, e impor ao CRUESP a negociação do reajuste salarial e da pauta unificada com as categorias em greve nas três universidades estaduais.

É preciso derrubar a estrutura de poder da USP!


por Bruno Rocha (Gilga), representante dos trabalhadores no Conselho Universitário
Está ganhando cada vez mais peso a luta pelo “Fora Zago!”, conforme vai ficando cada vez mais claro que ele é um inimigo da universidade! Mas o que queremos em seu lugar? O vice, que está ao seu lado? Algum outro reitorável, ou membro da burocracia universitária que o apoia? Um dos tantos diretores que não se pronunciaram até agora contra tudo o que está acontecendo? Não! Também fica cada vez mais claro que não se trata de um problema de “competência” para administrar, nem de vontade individual, mas de um plano do governo apoiado por toda a burocracia. Toda a estrutura de poder da USP, da reitoria e do Conselho Universitário, até a hierarquia nos locais de trabalho, foi criada pela ditadura militar, permanece intocada, e serve para manter esta ordem. O conselho universitário é uma casta onde, segundo denúncia da ADUSP, um terço dos professores é proprietário ou dirigente de fundações privadas ou empresas terceirizadas que lucram na USP! O próprio “reitorado” é um cargo que concentra quase todo o poder na universidade e não deveria existir.

É preciso dissolver o C.O. e toda essa estrutura de poder, pra que estudantes, trabalhadores e professores tomem nas mãos os rumos da universidade. A greve dá sinais da força da nossa organização e de como podemos controlar a universidade. Por isso a única resposta para a democratização real da estrutura de poder é construir, através da própria mobilização, uma Assembleia Estatuinte Livre e Soberana, ou seja, um espaço onde estudantes, trabalhadores e professores possam debater e decidir, com total liberdade e poder de deliberação, sobre os objetivos da universidade, seu papel, o acesso a ela, e todos os demais temas fundamentais de seu funcionamento.

Contra a demissão em massa e o enxugamento do quadro da USP

Aos trabalhadores da USP, ao Comando de Greve, ao SINTUSP
por Isabelle Gomes de Moraes, petroleira do Terminal da Baía de Guanabara - RJ e membro da CIPA e Leandro Lanfredi de Andrade, petroleiro do Terminal de Campos Elíseos – RJ, militantes do Movimento Nossa Classe Rio de Janeiro
Somos trabalhadores da maior empresa do país, a Petrobrás, que também é alvo constante de tentativas de privatização e precarização do trabalho.(...)
Queremos, com um pouco de nossa experiência, e como irmãos da classe trabalhadora, alertar vocês dos perigos dos PDVs. (...) Os PDVs dos anos 1990 – era FHC – eram feitos sob imensa pressão para atingir um número mínimo de pessoas inscritas e pairava sobre todos a ameaça de que se o número não fosse atingido haveria demissões diretas e não “voluntárias”. Milhares de petroleiros, com a conivência dos sindicalistas da CUT, foram embora e a terceirização aumentou exponencialmente. Hoje temos 320 mil terceirizados para 75 mil funcionários próprios. (...)

Aos trabalhadores em fim de carreira esta soma é uma esperança de complementar sua renda, ter estabilidade para si mesmos e suas famílias. (...) Em resumo, o PDV da Petrobrás será um instrumento para enxugar o quadro da empresa e consequentemente aumentar a terceirização e precarização do trabalho. (...) E em pouco tempo veremos graves acidentes, pois um dos setores mais afetados é a manutenção. (...) Por estes motivos alertamos os trabalhadores da USP em greve para que não se iludam com as promessas individuais atrativas que podem constar em um PDV e levem em consideração os malefícios coletivos que caminham junto. (...)

As mulheres na primeira linha da luta!


“A opressão do homem pelo homem iniciou-se com a opressão da mulher pelo homem” (Karl Marx)
Piores salários, dupla jornada, a história da mulher trabalhadora é marcada pela opressão. Opressão de classe e de gênero. A sociedade capitalista nos diminui como seres que somos. Nos trata como frágeis e incapazes. Diariamente convivemos com o assédio que nos transforma em objetos, bibelôs. Somos mulheres e somos trabalhadoras. Nem a força física, nem a opressão capitalista deve nos subjugar.

sábado, 23 de agosto de 2014

Por uma campanha efetiva pela readmissão dos metroviários


Fábio Gregorio (operador de trem), delegado sindical
Fernando Salles (funcionário da estação SÉ), delegado sindical e cipista
Ambos militantes da corrente Metroviários pela Base, que constrói o Movimento Nossa Classe, e demitidos políticos.

Há três meses, a categoria metroviária entrou em seu período de campanha salarial com a perspectiva de obter uma serie de conquistas. A disposição dos trabalhadores e o cenário era muito favorável tanto internamente – com o uso extensivo de adesivos, coletes, assembleias massivas e com grandes mobilizações e atos protagonizados pelos seguranças e pela manutenção – quanto externamente – a onda de greves ás vésperas da Copa do Mundo, o período eleitoral no segundo semestre etc. Tínhamos tudo para vencer. Entretanto, ainda que a categoria tenha feito uma greve muito forte, como há décadas não se via e tendo avançado em sua relação com a população, o saldo final da greve foi a demissão de 40 trabalhadores e uma série de ataques após a greve, como desconto de dias, inúmeras ações afim de reprimir nossas manifestações, atos e campanhas em prol da readmissão dos companheiros demitidos e o assédio moral das chefias, tudo isto porque a patronal sabe que os trabalhadores saíram desmoralizados desta greve.
O governo do estado sabia que, assim como a vitoria dos garis do RJ, uma vitoria dos metroviários de SP daria um grande exemplo a outras categorias de que lutar é o caminho, além de ser um enorme ataque ao governo. Se armou então de tudo o que podia para derrotar a nossa greve: usou a mídia, o assédio moral através das chefias, colocou pessoas despreparadas para operarem os trens, mandou a tropa de choque reprimir nossos piquetes e manifestações e quando estava encurralado demitiu os trabalhadores. Mas e a tal justiça? e as leis trabalhistas? Pois é, a mesma “justiça” que havia proposto em uma reunião de conciliação que o metro nos pagasse 9,5% de reajuste, 30% de periculosidade e PRL igualitária foi a mesma que julgou a nossa greve abusiva quando o metro não quis conceder nossas reivindicações e mostrou para qual lado pende a balança quando deixou de julgar todas as ilegalidades cometidas pelo metro contra o nosso direito de greve. Logo após o final da greve multou o metro em R$8.000,00 enquanto que nós trabalhadores fomos multados em R$350.000.000,00.   
Agora, a readmissão destes companheiros demitidos encontra-se nas mãos desta mesma justiça que não está e nunca esteve do nosso lado. O melhor meio que tínhamos para garantir que estes demitidos permanecessem em seus empregos seria manter a greve, que é o meio mais efetivo de que os trabalhadores dispõem para impor suas reivindicações, além de ser uma medida legitima dos trabalhadores que o estado tenta incriminar através dessas demissões, pois com elas, não foram apenas nós 40 que perdemos, mas todos os metroviários e o conjunto dos trabalhadores do país. Mas isto não quer dizer que não há mais nada a se fazer, devemos seguir com nossas campanhas internas e nos organizando desde nossos locais de trabalho, dialogando com cada trabalhador da importância da luta pela readmissão principalmente como resposta da categoria contra a patronal e o governo. Por isto exigimos também que os sindicatos e centrais sindicais, principalmente o sindicato dos metroviários de SP, impulsionem uma ampla campanha que vise unir as demais categorias por um plano real de luta pela readmissão dos metroviários, mas não apenas da boca pra fora e sim realizando atos de rua e outros tipos de mobilizações – como fizeram os trabalhadores da USP em conjunto a nós e em solidariedade. Nossos inimigos são os mesmos: Os patrões e o governo. Não podemos deixar passar um ataque destes que não é só contra os metroviários, mas contra a classe de trabalhadores em geral.
 
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